O sindicalismo revolucionário
O
sindicalismo
revolucionário ainda é confundido com o sindicalismo reformista e
institucional. Isso não só por parte da população que não teve
nenhum contato com nossa proposta, acontece entre os militantes
anarquistas que associam erroneamente com o sindicalismo estatal e
corporativista, controlado pelos partidos políticos de todos os
matizes.
Então nos cabe
expor de
forma clara o que vem a ser o sindicalismo revolucionário e sua
razão de ser.
O sindicalismo
revolucionário não é uma filosofia, uma doutrina ou um dogma
político. É, como escreve Victor Garcia, o braço do Anarquismo, um
instrumento de luta e organização dos trabalhadores e da população,
da classe oprimida e explorada. É errôneo, pois, entender que só
seja algo vinculado ao trabalho. Não, é mais amplo, abrange a todas
as lutas sociais e a elas procura dar suporte, relacionando-as de tal
forma a dar amplitude do processo revolucionário. É vulgarizar o
sindicalismo revolucionário atribuir a ele apenas a luta econômica
e desprezar a história do sindicalismo revolucionário.
Lembremos que a
organização
sindical revolucionária do início do século não estava restrita
as questões trabalhistas, mas tinham amplitude, tinham uma
perspectiva total das necessidades dos explorados e oprimidos e por
isso criavam escolas, creches, bibliotecas, espaços culturais, apoio
sanitário, desenvolviam o vegetarianismo e o anticlericalismo,
defendiam o amor livre (liberdade para amar a quem quiser e da forma
que quiser, em livre acordo, sem interferências moralistas e
religiosas) e a igualdade de gênero e etnias sem ter que se
fragmentar em grupos específicos para isso. Havia, com atualmente
há, uma noção de todo e que as lutas não se isolam ou pior,
elencar uma como prioritária, abandonando as outras questões.
As relações de
exploração
e opressão ocorre em todas as esferas e assim, devemos atuar também
em todas.
O meio mais
próximo de ação
do sindicalismo revolucionário é onde nossos companheiros
trabalham, mas isso não significa que nada mais importa, pois seria
leviano por demais de nossa parte. Temos uma noção que somente com
a erradicação da propriedade, do controle e autogestão da produção
pelos seus trabalhadores é que começaremos uma mudança profunda da
sociedade, rumo ao socialismo libertário. Nesse processo é lógico,
que será necessário repensar de forma coletiva as necessidades
sociais e individuais e como satisfaze-la sem aumentar os danos
ambientais e até em reverte-los. Então se percebe que não é apena
assumir coletivamente a produção, mas entender a organização
social, as necessidades sociais e como atingir o bem estar e
igualdade para tod@s.
Então o econômico
é apenas uma parte do processo de autogestão da social. O
sindicalismo revolucionário é apenas uma parte organizativa desse
processo, é quem assegura o funcionamento autogestionário da
produção a fim de suprir as demandas da sociedade e essa rearticula
suas prioridades de tal forma a manter cada um atendido com aquilo
que precisa.
Vemos o trabalho
como algo
importante, como uma ação construtiva que visa contribuir para a
vida social, sendo que cada um contribui com aquilo que melhor saiba
fazer e de acordo com suas capacidades.
Com já escreveram
destacados libertários (Bakunin, Kropotkin e Malatesta), com uma
distribuição da riqueza de forma igualitária e responsável, não
tendo acumulo de riqueza por parte de alguns aproveitadores, as
jornadas de trabalho tendem a serem menores, criando espaço para que
cada trabalhador, tendo contribuído com sua parte na produção
qualquer ou exercido sua função, possa ter mais tempo para se
desenvolver e fazendo aquilo que queira fazer, tendo apenas em mente
uma única coisa: nem explorar, nem oprimir quem quer que seja.
E devemos frisar
que como
propomos uma vida coletiva, comunal, há aqueles que não querem
fazer nada e como isso é justamente explorar o trabalho coletivo
(alimentos, roupas, remédios, casas, etc) não poderá ser aceito.
Nesses casos, estarão livres para formarem com outros que pensem de
forma semelhante, seus próprios espaços e sua vida da forma que bem
entenderem, sem oprimir, sem explorar.
Endossamos nesse
ponto, o
que Malatesta escreveu, nenhum grupo ou indivíduo poderá impor sua
vontade sobre outro, nem podar a liberdade um do outro. Assim todas
as experiências serão aceitas e as liberdades somadas e não
limitadas. Não significa que não podemos criticar ou sermos
criticados, faz parte do processo de aprendizado de uma nova forma de
vida social, onde as necessidades de tod@s
estão acima das ganâncias de alguns.